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Dólar recua em setembro, mas a janela eleitoral segue aberta: como a mesa posiciona as tranches até o primeiro turno

Com a moeda abaixo de R$ 5,10 e queda acumulada de 6,5% no ano, o mercado testa a tese do prêmio eleitoral. Para quem opera câmbio de empresa, a leitura é outra: a amplitude subiu, o custo da…

Vinicius Teixeira, CEO da GX Capital

Com a moeda abaixo de R$ 5,10 e queda acumulada de 6,5% no ano, o mercado testa a tese do prêmio eleitoral. Para quem opera câmbio de empresa, a leitura é outra: a amplitude subiu, o custo da proteção caiu e o calendário até 4 de outubro pede passo curto

O dado

O dólar fechou a sessão de 8 de setembro abaixo de R$ 5,10, com recuo acumulado de 1,27% na semana, 0,96% no mês e 6,54% no ano. O Ibovespa, no mesmo período, acumula alta de 14,91% em 2026. O movimento vem acompanhado de petróleo em alta, com o Brent perto de US$ 98 em meio à tensão no Oriente Médio, de retorno de capital estrangeiro à bolsa e de pesquisas que apontam disputa presidencial acirrada a menos de um mês do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O segundo turno, se houver, será em 25 de outubro. O Boletim Focus elevou a mediana do IPCA para os 12 meses à frente de 4,53% para 4,60%, e mantém 2026 em 5,00%, acima do teto da meta.

Para a leitura de mesa, o nível é a parte menos relevante do quadro. O que caracteriza a janela eleitoral, o período de agosto a outubro em que a cotação incorpora o prêmio de risco de dois resultados possíveis, é a amplitude dos movimentos diários e a sensibilidade a pesquisas. Setembro trouxe dólar mais baixo e bandas mais largas ao mesmo tempo.

“Nas quatro semanas até o primeiro turno a variável não é o nível, é a amplitude: a mesa trabalha com bandas diárias mais largas e reduz o tamanho de cada tranche para caber nelas. É o mesmo hedge em camadas, com o passo mais curto”, afirma Vinicius Teixeira, sócio da GX Capital.

O que a queda muda no custo da proteção

Em maio, a mesa da GX projetou pico de R$ 5,55 para o terceiro trimestre, a partir de um dólar na casa de R$ 4,91, e passou a usar o termo dólar eleitoral para nomear o regime da janela. A cotação subiu em junho e julho e recuou em setembro, sem atingir a projeção. Do ponto de vista de quem está comprado em proteção, a consequência é aritmética: a tranche de NDF de compra contratada agora, com vencimento depois do segundo turno, custa menos do que a de julho para cobrir o mesmo período de risco.

“A queda de setembro não desmonta a janela, muda o custo dela: NDF de compra na casa de R$ 5,10 com o segundo turno em 25 de outubro é proteção mais barata do que a de julho. O importador que ainda não fixou setembro e outubro tem nesta semana o melhor ponto de entrada da janela”, diz o executivo.

Na prática, a estrutura para o importador nas quatro semanas até o primeiro turno segue o desenho do hedge em camadas, com ajuste de passo: tranches menores e mais frequentes, por exemplo semanais em vez de mensais, de modo que uma sessão de alta amplitude não defina o custo médio. Sobre a base de NDF, o FINIMP desloca a liquidação para depois da acomodação pós-eleitoral, e Ex-Tarifário e benefício estadual, onde couberem, reduzem o custo all-in. O playbook Importação Blindada, publicado pela GX em maio, simula redução de até 44,7% no custo de uma operação com o empilhamento completo.

O lado do exportador

Para quem exporta, o dólar mais baixo em setembro cria a tentação inversa: esperar outubro para liquidar, na aposta de que o prêmio eleitoral volte. É a decisão que entrega o resultado ao spot de um dia. A estrutura recomendada pela mesa é o NDF de venda escalonado até o segundo turno, fixando a receita em tranches, combinado com o ACC sobre o pipeline de embarques para antecipar caixa a custo de SOFR mais spread. O playbook Exportação Premium simula R$ 245 mil por mês de receita adicional numa operação de soja com hedge em camadas.

“Do lado do exportador, dólar mais baixo antes da eleição é o motivo para não vender o embarque de outubro no spot. NDF de venda escalonado até o segundo turno e ACC sobre o pipeline mantêm o prêmio da janela dentro da empresa”, afirma Teixeira.

Os dois cenários de 5 de outubro

O ponto de maior assimetria da janela não é o dia da eleição, é a manhã seguinte. Um resultado definido no primeiro turno tende a antecipar a acomodação, historicamente mais rápida do que a subida que a precede. Uma disputa levada ao segundo turno estende o regime de alta amplitude por três semanas, até 25 de outubro. A carteira que chega a 4 de outubro com as tranches de outubro já contratadas atravessa os dois cenários; a que chega com a exposição aberta decide sob pressão.

“O pós-primeiro turno é o momento de maior assimetria: se a disputa se define, a acomodação vem rápido; se vai para o segundo turno, a volatilidade se estende por mais três semanas. As tranches de outubro têm que caber nos dois cenários”, conclui o sócio da GX.

Na GX, que reúne mais de R$ 2 bilhões em volume estruturado, a leitura de cenário e o dimensionamento das tranches passam pelo Auron IA, tecnologia própria disponível no aplicativo do cliente, que apoia o planejamento cambial e a análise de carteira antes da decisão da mesa.